quinta-feira, março 08, 2007

Profissão de Alto Risco e Missão Quase Impossível

A sua missão, caso a aceite, é ser professor numa escola portuguesa. Quer seja sucedido nela ou não, está mensagem auto-destruir-se-á dentro de 10 segundos e, no final deste ano lectivo você estará no desemprego.

Pois é, estive a ler recentemente numa publicação diária que ser professor em Portugal é uma profissão de risco. Tudo isto a propósito das recentes agressões cometidas contra professores no Norte do país.

As agressões, apesar de lamentáveis e de condenáveis, não são propriamente novidade.
A novidade está no crescente desrespeito que os alunos, os pais e o Ministério demonstram pela difícil tarefa de EDUCAR.
Numa altura em que a responsabilidade de dar EDUCAÇÃO (no seu sentido mais amplo) recai cada vez mais sob a escola e menos sob a família, assistimos a este triste espectáculo em que os alunos e os encarregados de educação (ou não visto que os rufias não a têm) se acham no direito de “castigar” os professores por fazerem o seu trabalho e tentarem instruir as criaturas com algo mais útil e transcendente do que os Morangos com Açúcar.

E de quem é a culpa?
As políticas demonstradas pelo nosso Ministério retiram cada vez mais autoridade e regalias aos nossos professores, para além de lhes congelarem as progressões na carreira e muitas vezes oferecerem contratos precários. Agora lembraram-se de pôr os paizinhos a avaliar a professora. Qual é a lógica aqui? “A Sr.ª Professora chumbou o meu rico menino, eu vou dar-lhe nota negativa, furar-lhe os pneus do carro e pôr-lhe um olho negro!”. Que belos exemplos…

Como resolver o problema da delinquência e violência nas escolas?
Eu não faço ideia porque essa não é a minha área. No entanto aconselhava o Ministério a escutar mais os peritos na matéria ou corremos o risco de extinguir os professores em Portugal! Não vai ser um meteorito que vai extinguir os professores mas os esgotamentos nervosos!

A bela profissão do Ensino. Onde está o meu Prozac?
Algumas estatísticas recentes apontam para uma enorme percentagem de professores que:
1) Já consultaram ou consultam psicólogos;
2) Já sofreram ou sofrem de esgotamentos nervosos, depressões e etc’s;
3) Passaram ou passam imenso tempo de baixa devido a problemas de natureza psicológica.

Onde vamos parar? Como devolver a dignidade ao nosso Ensino e aos nossos professores? O caminho passa com certeza por uma séria mudança de políticas. Veja o que faz Sr.ª Ministra!

3 comentários:

angelaquaresma disse...

um dos problemas que aqui se põem é o de ter sido depositava demasiada confiança na escola, onde esta é o lugar onde as crianças são educadas. o que se verifica que não é assim tão linear... acontece que muitos pais pensam que a escola é o meio unico para educar os seus filhos. e a escola é um dos meios para instruir os seus filhos, e não simplesmente para os educar. No entanto existem muitos casos de crianças em que a sua educação é-lhes somente dada na escola. A escola nao é um depósito de educação!

just_me disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
just_me disse...

Antes de mais queria dizer-te que o artigo tá 5*. Relativamente à questão de ser professor... Os docentes estão por vezes sujeitos às mais diverss formas de pressão psicológica (por parte de alunos, pais e precaridade na duração dos empregos, como referiste). Sim, uma agressão psicológica ñ deixa de ser uma agressão (embora as marcas ñ sejam notada à primeira vista).

16/5/07 7:33 PM